sexta-feira, 22 de março de 2013

Intervenção - Bazar


Que valor damos para as coisas? Que valor elas tem, de fato?
Se fui eu quem fiz e sei o trabalho que deu, eu valorizo muito mais. Se tenho um objeto de valor sentimental, ou seja, algo que me é muito querido, ele vale muito mais para mim do que talvez valha para outras pessoas. E roupas e outros produtos? Muitas vezes suas etiquetas valem mais do que os próprios produtos.
E sendo assim, que valor os objetos possuem?

Na última terça feira, 19 de Março, levamos essa discussão para a rua, por meio de mais uma intervenção. Escolhemos um lugar próximo ao metrô Patriarca, lugar de passagem de muitas pessoas. Nos encontramos às 7:30 e iniciamos a montagem do nosso "bazar" pelas 8hras.

             

Olhares curiosos, sorrisos, bons dias e silêncios.
Muitas pessoas passavam e não paravam, algumas diziam "Não tenho dinheiro" e saiam com pressa mesmo depois de dizermos que não estávamos vendendo nada. Algumas outras passavam com muita pressa, atrasadas para o trabalho ou para a consulta médica.
Uma moça parou, muito simpática nos perguntou quanto custava o pedaço de bolo, dissemos que não estávamos vendendo, mas que para levar o bolo ela tinha de ler um poema, ela aceitou. O poema era "O açúcar" do Ferreira Gullar. Terminou de ler o poema emocionadíssima, nos agradeceu e pegou um pedaço de bolo, antes de ir embora perguntamos qual era seu nome e para a nossa surpresa a resposta foi "Me chamo Albertina", que presente mais lindo nós ganhamos!!

Muitas outras pessoas pararam, algumas interessadas em saber o que era aquele bazar, outras interessadas só em um pedaço de bolo ou em uma roupa de frio.

"Essa blusa era do meu avô, o valor dela é uma história..."




As conversas foram inúmeras, a discussão sobre o valor que as coisas possuem foi super bacana, as histórias contadas e os poemas lidos foram emocionantes.


Durante uma das histórias, uma intervenção dentro da nossa intervenção. Policiais chegaram e disseram "Temos uma história para contar também, é proibido qualquer tipo de comércio nas proximidades dos metrôs.", como já esperávamos que isso pudesse acontecer, levamos impresso o decreto que permite artistas de rua se apresentarem em São Paulo. Depois de uma leitura atenta do decreto e algumas interpretações do que estava escrito, fomos autorizadas a permanecer ali até as 10hras. Bom, já que estávamos autorizadas, bora fazer.

Continuamos nossa conversa com as pessoas que passavam...



     

O movimento do metrô diminuiu e já era hora de organizar nossas coisas...

           

Terminamos a manhã com uma avaliação de como tinha sido e o saldo foi bastante positivo. Bastante coisa pra pensar, bastante coisa pra mudar, muitas vontades, algumas dúvidas, algumas certezas.

O fato é que de alguma forma a discussão foi iniciada, talvez seja pouco ainda, mas vamos fazendo e trabalhando pra ampliar esse tipo de discussão em todos os lugares.

E vamos trabalhar porque semana que vem tem mais intervenção pra ser feita.




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