E nosso CDC Vento Leste agora ganhou novo blog para todo mundo ficar de olho na nossa programação e nas atividades de cada grupo que ocupa o espaço. Confiram!
domingo, 31 de março de 2013
Intervindo na praça
"- Escuta, vocês não estão sujando essa mesa de cola, não, né?
- Não, a gente só está usando para cortar as garrafas.
- Ah, bom... porque a gente usa ela para jogar dominó. E isso aí que vocês estão fazendo? Para quê que é?
- Como assim?
- É para alguma festa, um evento? Vocês vão limpar depois?
- Não, é para o bairro... para deixar a praça mais bonita"
"- Isso aí que vocês estão fazendo é artesanato, né? Parabéns, meninas, está bem bonito! E por que vocês estão fazendo isso?
- É para chamar a atenção das pessoas para a praça, para elas lembrarem que esse aqui é um espaço para elas usarem.
- Ah, que bonito. A gente vem aqui todo dia, tão vendo aquele lixo ali? A gente que colocou. Porque não ia ser certo a gente largar as garrafas por aí. A gente tem que tomar conta mesmo."
Praça Araruva, Cidade Patriarca. Uma intervenção simples, em uma despretensiosa manhã de terça-feira com cara de chove-não-chove. Interlocução imediata com os moradores do bairro. Quem disse que não se frequenta mais praças hoje em dia? Muito bom poder discutir o direito à cidade com quem ainda faz uso dela. Até tivemos que mudar de mesa, porque o moço do dominó se dizia no direito dele de jogar ali, na mesa que era apropriada à sua necessidade.
Teve gente que só olhou, gente que parou para conversar, que correu para buscar a escada e participou de todo o processo, gente que curtiu os sprays e a amarelinha pintada no chão.
Depois, os meninos que vieram ajudar nos acompanharam até o cdc para colocar o resto das flores por lá e conversamos um pouco sobre aquele espaço. Se ele é nosso, porque não fazer uso dele? Combinamos um mini campeonato de futebol para a próxima semana, com direito a café da manhã coletivo. Os meninos e menina ficaram de organizar a turma e pensar nas regras do jogo. Mais para frente, vamos fazer uma corrida de bike. E vamos que vamos que essa semana promete!
sexta-feira, 29 de março de 2013
Show imperdível!
Aí, galera! Dia 06, depois do nosso mutirão, vai rolar um show do parceiro Renato Gama, inaugurando nosso novo projeto de programação cultural mensal do CDC.
Apareçam que a coisa vai ser boa demais!
Apareçam que a coisa vai ser boa demais!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Oficina de Teatro e Percussão
Terça passada começou a nossa oficina de Teatro e Percussão na E. E. Prof° Jamil Pedro Sawaya, que fica na Rua Palmeirina, lá na Cidade Patriarca, pertinho do nosso cdc.
A primeira aula reuniu cerca de 60 alunos das duas turmas de 9o ano e teve caráter de aula experimental. Logo que chegamos, uma surpresa. Os alunos quiseram se apresentar gravando um vídeo de harlem shake! Para gente, um desafio (necessário) logo de cara: trazer a vivência dos alunos para a oficina. Conversamos um pouco sobre a proposta da oficina, falamos sobre o coletivo e apresentamos nosso rap e cena dos incêndios.
Mostramos também um pouco do trabalho do Pau e Lata e explicamos que iremos confeccionar nossos próprios instrumentos, para usá-los em paralelo aos adquiridos pelo grupo ao longo desse projeto.
Aqueles que se identificaram, fizeram a inscrição e estarão com a gente até o final do semestre.
Vai sair coisa boa daí!
domingo, 24 de março de 2013
Mais um mutirão!
E hoje rolou mais um mutirão lá no CDC.
Dolores, Albertinas, NA, uma passadinha da D. Paula e do Seu Rangel, que infelizmente não puderam ficar. É sempre bom estar junto!
Dividimos algumas tarefas mais urgentes, como a organização interna do espaço, a instalação do alarme pelo Lúcio (nosso faz-tudo!), a limpeza dos espaços, a organização da louça (a situação tava ficando crítica!), enfim... tudo com direito à discotecagem de primeira (mais uma tarefa do nosso querido mil e uma utilidades!)
Tentamos inclusive a retirada dos entulhos dos espaços abertos, mas tem muito trabalho pela frente e essa tarefa vai ficar para o próximo!
Dia 06 tem mais. Com surpresas para os muros. Bora colar lá com a gente!
sexta-feira, 22 de março de 2013
Um pouco mais sobre o CDC
O CDC da Cidade Patriarca agora tem nome próprio! Em homenagem a um dos grupos que participaram da ocupação e construção desse espaço, nosso Clube da Comunidade agora se chama CDC Vento Leste.
O parceirão Grilo fez um vídeo com um pouco mais da história desse nosso lugar. Confiram!
Intervenção - Bazar
Que valor damos para as coisas? Que valor elas tem, de fato?
Se fui eu quem fiz e sei o trabalho que deu, eu valorizo muito mais. Se tenho um objeto de valor sentimental, ou seja, algo que me é muito querido, ele vale muito mais para mim do que talvez valha para outras pessoas. E roupas e outros produtos? Muitas vezes suas etiquetas valem mais do que os próprios produtos.
E sendo assim, que valor os objetos possuem?
Na última terça feira, 19 de Março, levamos essa discussão para a rua, por meio de mais uma intervenção. Escolhemos um lugar próximo ao metrô Patriarca, lugar de passagem de muitas pessoas. Nos encontramos às 7:30 e iniciamos a montagem do nosso "bazar" pelas 8hras.
Olhares curiosos, sorrisos, bons dias e silêncios.
Muitas pessoas passavam e não paravam, algumas diziam "Não tenho dinheiro" e saiam com pressa mesmo depois de dizermos que não estávamos vendendo nada. Algumas outras passavam com muita pressa, atrasadas para o trabalho ou para a consulta médica.
Uma moça parou, muito simpática nos perguntou quanto custava o pedaço de bolo, dissemos que não estávamos vendendo, mas que para levar o bolo ela tinha de ler um poema, ela aceitou. O poema era "O açúcar" do Ferreira Gullar. Terminou de ler o poema emocionadíssima, nos agradeceu e pegou um pedaço de bolo, antes de ir embora perguntamos qual era seu nome e para a nossa surpresa a resposta foi "Me chamo Albertina", que presente mais lindo nós ganhamos!!
Muitas outras pessoas pararam, algumas interessadas em saber o que era aquele bazar, outras interessadas só em um pedaço de bolo ou em uma roupa de frio.
"Essa blusa era do meu avô, o valor dela é uma história..."
As conversas foram inúmeras, a discussão sobre o valor que as coisas possuem foi super bacana, as histórias contadas e os poemas lidos foram emocionantes.
Durante uma das histórias, uma intervenção dentro da nossa intervenção. Policiais chegaram e disseram "Temos uma história para contar também, é proibido qualquer tipo de comércio nas proximidades dos metrôs.", como já esperávamos que isso pudesse acontecer, levamos impresso o decreto que permite artistas de rua se apresentarem em São Paulo. Depois de uma leitura atenta do decreto e algumas interpretações do que estava escrito, fomos autorizadas a permanecer ali até as 10hras. Bom, já que estávamos autorizadas, bora fazer.
Continuamos nossa conversa com as pessoas que passavam...
O movimento do metrô diminuiu e já era hora de organizar nossas coisas...
Terminamos a manhã com uma avaliação de como tinha sido e o saldo foi bastante positivo. Bastante coisa pra pensar, bastante coisa pra mudar, muitas vontades, algumas dúvidas, algumas certezas.
O fato é que de alguma forma a discussão foi iniciada, talvez seja pouco ainda, mas vamos fazendo e trabalhando pra ampliar esse tipo de discussão em todos os lugares.
E vamos trabalhar porque semana que vem tem mais intervenção pra ser feita.
sábado, 16 de março de 2013
Intervir em um espaço Público
Olha só, nesta semana fizemos mais uma intervenção, desta vez a intervenção foi dentro do CDC Patriarca, agora chamado de CDC Vento Leste.O CDC como já foi dito aqui é um espaço público, hoje administrado por 7 grupos, nós somos um destes grupos. Em uma das reuniões entre esses grupos, que acontecem mais ou menos uma vez por mês.Foi decidido que cada grupo seria responsável por um espaço, para criar um "toten", um "altar", um "palco"... chame como quiser (risos). Este espaço tem o objetivo de transformar o sentido da limpeza coletiva em um espaço público. Como temos um processo de trabalho horizontal, tentamos trazer isso para o nosso espaço, porntato, não contratamos ninguém para fazer nenhum trabalho no CDC, tudo é feito por todos coletivamente e conscientemente.

Bom, o Coletivo da Albertina (nós) optamos pelo banheiro feminino, já que somos muitas meninas no grupo.Quando pensamos na Intervenção, pensamos na facilidade, na praticidade, na imagem, no visual. Pensamos em tentar deixar o lugar mais limpo, mais organizado, e mais aconchegante (pra um banheiro, claro).
Praticamos assim mais uma intervenção... concretizando, a arte, a politica, provocativa e objetiva, dentro de um espaço público.
Na terça-feira iremos fazer mais uma intervenção, está será em frente ao metro Patriarca, Intervenção intitulada como "Bazar", fica o convite pra quem quiser aparecer. :)
domingo, 10 de março de 2013
Jogando com a especulação
Há algum tempo o coletivo vem pensando em uma intervenção artística para discutir a especulação imobiliária de uma forma lúdica. Estávamos quebrando a cabeça, pensando em qual estratégia e dinâmica de jogo seriam legais e funcionariam melhor para lidarmos com diferentes ideias das pessoas sobre o tema. A ideia era montar uma barraquinha em uma praça da Cidade Patriarca e interagir com as pessoas que passassem.
Chegamos a preparar nossa cidade, com direito a casinhas, prédios, shopping e a favela subindo o morro. Fazemos cartas para as pessoas sortearem, lançamos dados e fazemos perguntas, montamos a cidade com as pessoas discutindo estratégias da sua produção?
E eis que surge a surpresa! O prefeito Eduardo Paes, na sua gestão, em parceria com a Estrela, lançaram o Banco Imobiliário Cidade Olímpica. E não é que eles saíram na nossa frente? O jogo, que terá 20 mil exemplares comprados com verba do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), a um custo de R$ 1.050.748, será distribuído em escolas da rede pública municipal.
"Cada escola vai receber dois exemplares, que serão utilizados nas salas de leitura. De acordo com a Secretaria, os professores poderão utilizar os jogos em disciplinas como geografia, história e matemática e ainda falar de temas como a preservação dos espaços culturais da cidade." (Mais aqui).
Só que, ao invés de levantar uma discussão crítica a respeito da gigantesca onda de especulação imobiliária que vem tomando conta das cidades por conta dos megaeventos (não que antes não existisse, mas é impossível negar sua atual força), o jogo a exalta. Os projetos da prefeitura, em parceria com o setor privado, como o Porto Maravilha, a Transcarioca, a Clínica da Família, o Bairro Carioca, os BRTS (vias expressas de ônibus), o Museu de Arte do Rio, o Museu da Imagem e do Som, aparecem no tabuleiro que promove a mercantilização da cidade como algo positivo.
Cartas como “Seu imóvel foi valorizado com a pacificação da comunidade vizinha. Receba R$ 75 mil.”, mostram como a especulação é benéfica para uma classe e, obviamente, já que é uma jogada política, não reflete sobre toda a sorte de violação de direitos que se tornaram hoje rotina nas desapropriações, incêndios, remoções forçadas e negociatas.
Felizmente, o pessoal do lado de cá também soube ser criativo.
Manifestação de Professores em frente à Câmara dos Vereadores no dia 05/03:
"Os professores da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro fazem hoje (05) uma paralisação de 24 horas. Reunidos em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, centro da cidade, representares do Sepe-RJ (Sindicato dos Profissionais da Educação) usaram o jogo Banco Imobiliário – produzido pela Estrela e recentemente comprado pela prefeitura para ser distribuído nas escolas da capital fluminense — para criticar atitudes da Secretaria Municipal e pedir aumento salarial e autonomia pedagógica."
"No "jogo" proposto pelo sindicato durante a manifestação, cada ato da prefeitura era passível de multa. Os professores substituíram as tradicionais cartas de "sorte ou revés" por cartas com críticas ao prefeito e à secretária de educação, Cláudia Costin."
Confiram as ótimas fotos!
E para terminar, mais uma manifestação contrária ao jogo, feita por Rafucko, radialista e videomaker carioca, que vale a pena assistir!
Puxa, Eduardo Paes e Estrela, agora vai ser difícil superar tamanha sacada. Mas a gente aceita o desafio. Logo mais temos intervenção na rua!
sexta-feira, 8 de março de 2013
O Pastor dos inalienáveis direitos humanos
A cena começa assim:
CORO: Os direitos humanos são inalienáveis!
Bem, parece que não. Ontem (07/03), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, sob intensos protestos e após abandono da votação de vários deputados contrários à indicação e condução do processo de escolha.
Quando a Comissão de Direitos Humanos é liderada por um Pastor conhecido por declarações homofóbicas e racistas, é impossível deixar de notar que algo está errado.
O acontecimento é mais um exemplo, mais do que concreto, de que a tal das declarações universais e a garantia constitucional dos direitos humanos, aquela mesma que diz que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos" e que "dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade", é um bonito discurso. E só.
Negros, homossexuais, mulheres, idosos, pobres, crianças. Fica a pergunta: cadê as minorias? Não será a minoria essa que preside não apenas comissões de Direitos Humanos, mas tantos outros cargos de governança? Não será a minoria essa que detém os direito$ humano$?
E é por isso que cantamos:
"Os Ina-na-lienáveis direitos humanos
São assim: inalienáveis alienígenas
São assim
Os Ina-na-lienáveis direitos do homem
São enfim incompreensíveis enigmas
São enfim"
domingo, 3 de março de 2013
Final de semana coletivo!
1o Encontro dos Grupos Gestores do CDC Patriarca (dias 23 e 24/02), 2013
Passada a correria, deu para avaliar internamente como foi o final de semana. Muita coisa boa e também muito para pensar para os próximos que, quiçá, virão!
Sábado (dia 23/02), foi dia de nos conhecermos. Mas antes, é claro, limpeza do espaço. A gente usa, a gente cuida. Limpeza feita, café da manhã tomado, fala de abertura dita e organizamos coletivamente o nosso dia, que seria de apresentações de cada grupo, para mostrar um pouco do seu trabalho e conversar sobre sua história e sua forma de encarar aquele espaço coletivo.
As Albertinas (e os Albertinos, Jhony e Thiago) optaram por mostrar uma de suas cenas, criada a partir dos estudos sobre os incêndios em favelas e a especulação imobiliária.
Depois, uma breve conversa sobre quem somos, a que viemos e em que pé estamos nos nossos estudos e nas nossas dúvidas! O registro é da Pri Viotto.
No domingo, tivemos uma conversa com o Renato (à direita [mas só na foto!]), sobre a história do Vento Leste na região, e com o Tiago Pimentel (à esquerda), que trouxe uma fala muito interessante sobre autogestão, para a gente começar a pensar coletivamente nesse espaço que gerimos.
Depois tiveram apresentações da Dança e do NA, que não puderam ir no sábado, e reunião da galera nos GTs que a gente pré-estabeleceu de acordo com as necessidades e demandas do espaço e dos grupos. Tinha GT de limpeza, de segurança, de documentação, da comunidade, de reforma e de meio ambiente. Separamos 1 hora para a discussão. E não é que foi pouco? Depois, fizemos uma conversa geral, na qual estiveram presentes também integrantes da Associação de Moradores do bairro e o sub-prefeito da Penha, Miguel Perrella. Para finalizar o dia, show da Nhocuné Soul, com participação de Tita Reis.
Agora é sentar, pensar junto e fazer o que precisa. E que venham os próximos!
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